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Efeito IKEA: quem montou deu lance 63% maior, mas só quando terminou

O Efeito IKEA aumentou o lance por uma caixa montada, mas só quando a pessoa terminou. Os quatro experimentos de 2012, os materiais reais, o que a história costuma errar e o que testar no seu negócio.

JonathanJonathan
8 min de leitura1.688 palavras
Capa do artigo sobre Efeito IKEA, do Swipe File da eBuz

Resposta curta: o Efeito IKEA é o aumento do valor que a pessoa dá a algo que montou com as próprias mãos. No estudo de Norton, Mochon e Ariely (2012), quem montou uma caixa de armazenamento da IKEA deu um lance de US$ 0,78, contra US$ 0,48 de quem recebeu a caixa pronta, um prêmio de 63%. O efeito sumiu quando a pessoa parou antes dos dois últimos passos ou desmontou o que fez. O estudo usou objetos baratos e não testou serviços, descontos nem renovação.

O caso: quatro experimentos, três objetos

O artigo The IKEA effect: When labor leads to love saiu no Journal of Consumer Psychology (22(3), 453 a 460). Ele reúne quatro experimentos, com três tipos de objeto: caixas de armazenamento da IKEA, origami e kits de Lego. Se você ouviu a história com "caixas de papel dobradas", ela já está diferente do que o artigo descreve. Mais abaixo, a lista do que costuma sair errado.

Os lances tinham consequência real. Nos experimentos com caixa e origami, os participantes davam lances por um método em que um preço é sorteado: se o lance for igual ou maior que o sorteado, a pessoa paga esse preço e leva o objeto. Assim, dar um lance alto de mentira sairia caro. No Lego, o maior lance por cada kit pagava o valor que deu e levava o kit para casa.

Experimento 1A: a caixa da IKEA

Foram 52 universitários, pagos com US$ 5. Metade montou uma caixa preta de armazenamento, seguindo as instruções que vêm com o produto. A outra metade recebeu a mesma caixa já montada e pôde examiná-la. Depois, todos deram um lance.

  • Quem montou: lance médio de US$ 0,78.
  • Quem recebeu pronta: lance médio de US$ 0,48.
  • Diferença significativa (p abaixo de 0,05). Os autores a descrevem como um prêmio de 63%.

Quem montou também disse gostar mais da caixa, numa escala de 1 a 7: 3,81 contra 2,50.

Experimento 1B: o origami

Foram 106 estudantes voluntários. Parte deles dobrou um sapo ou uma garça de origami e deu um lance de zero a cem centavos pela própria peça. Outro grupo de pessoas deu lances pelos origamis feitos por eles, sem saber quem os fez. Um terceiro grupo deu lances por origamis feitos por dois assistentes com muita prática.

Quem deu o lance, por qual origamiLance médio
O próprio autor, pelo seu origamiUS$ 0,23
Outras pessoas, pelo origami do amadorUS$ 0,05
Outras pessoas, pelo origami do especialistaUS$ 0,27

O autor pagou quase cinco vezes o que os outros pagariam pela mesma peça, e chegou perto do valor do origami do especialista. Os pesquisadores também perguntaram a 14 estudantes quanto os colegas dariam pelo seu origami: a estimativa (US$ 0,21) ficou parecida com o próprio lance (US$ 0,19). Ou seja, a pessoa parecia acreditar que os outros veriam o mesmo valor que ela.

Experimento 2: montar e desmontar

Foram 118 estudantes, em duplas, com kits de Lego de 10 a 12 peças (helicóptero, pássaro, cachorro ou pato). Cada pessoa dava lance pelo seu kit e pelo do parceiro. Havia três condições: kit já pronto, kit montado pela pessoa, e kit montado pela pessoa e depois desmontado por ela.

Só na condição "montar" o lance pelo próprio kit foi significativamente maior que pelo kit do parceiro (os autores dizem que foi o dobro). Em "montar e desmontar", a diferença deixou de ser significativa. Os autores lembram que Lego foi feito para ser montado e desmontado, e que o participante poderia ter remontado o kit rapidamente se pagasse por ele. Mesmo assim, o valor caiu.

Experimento 3: parar antes do fim

Foram 39 universitários, pagos com US$ 5. Todos receberam a caixa IKEA para montar. Um grupo foi até o fim. O outro foi instruído a parar antes dos dois últimos passos, com todas as peças em mãos.

  • Quem terminou: lance médio de US$ 1,46.
  • Quem parou antes do fim: lance médio de US$ 0,59.

Os autores também mediram se a pessoa se considerava do tipo "faça você mesmo". Quem se via assim tendeu a valorizar mais a caixa (diferença no limite da significância, p = 0,06), e não houve evidência de que o efeito de terminar fosse diferente entre os dois tipos de pessoa.

O mecanismo: esforço mais prova de competência

O artigo explica o resultado por duas ideias combinadas. A primeira é a justificação de esforço: quanto mais a pessoa se esforça, mais tende a valorizar o que conseguiu. A segunda é a sensação de competência que vem de terminar uma tarefa. Para os autores, a conclusão com sucesso é o que faz o trabalho virar apreço, e daí o título "labor leads to love".

Eles tratam isso como explicação provável, não como prova. Consideram improváveis duas alternativas, com base nos próprios dados: a de que bastaria ser dono do objeto e a de que bastaria tocar nele por mais tempo. No experimento 2, quem montou e desmontou ficou mais tempo com as peças nas mãos e deu lances menores.

Um estudo posterior, com crianças, apoia a ideia de que o esforço sozinho talvez não seja o motor. Marsh, Kanngiesser e Hood (2018) acharam o viés surgindo por volta dos 5 anos, sem ser alterado pela quantidade de esforço em crianças de 5 e 6 anos, e propõem que o efeito ligue as próprias criações ao autoconceito. Uma réplica conceitual de 2017 (Sarstedt, Neubert e Barth), pelo resumo publicado, sustenta a robustez do efeito original. Não li o texto completo desta última, então não relato amostra nem método.

O que a história costuma errar

  • "Eram caixas de papel." O artigo usou caixas de armazenamento da IKEA, origami e Lego. A caixa de papel não aparece.
  • "O grupo foi interrompido no meio." No experimento 3, os participantes pararam antes dos dois últimos passos, quando a caixa estava quase pronta. No experimento 2, montaram e desmontaram. O efeito sumiu nos dois casos, mas o que fez diferença foi a falta de conclusão, não uma pausa no meio.
  • "Foi um teste com clientes." Os participantes eram estudantes, e o objeto valia de centavos a US$ 1,46 no lance médio. Ninguém comprou serviço, assinatura ou consultoria.
  • "Entregar pronto gera pedido de desconto." O estudo não mediu desconto, renovação nem percepção do trabalho de quem entrega. Isso é hipótese de negócio, não resultado do estudo.
  • "Quanto mais o cliente trabalha, mais valoriza." O artigo diz o contrário para a parte que interessa: sem sucesso na tarefa, o efeito some. Os autores recomendam criar tarefas que não sejam difíceis a ponto de impedir a conclusão.
  • "O efeito vale para qualquer preço." Os próprios autores escrevem que usaram itens de pouco valor e deixam a pergunta sobre itens caros para pesquisa futura.

O que isso muda no seu negócio

O que o estudo sustenta é estreito: pessoas deram lance maior por um objeto simples quando o montaram e terminaram. Para quem vende curso, mentoria, serviço ou livro, isso gera hipóteses a testar, não regras.

  1. Desenhe uma parte que o cliente consiga terminar. Escolha um passo curto, com instrução clara, que ele conclua sozinho na primeira semana (preencher um diagnóstico, montar a primeira versão de uma página). O ponto do estudo é a conclusão, não o esforço.
  2. Garanta o final antes de pedir a participação. Se o cliente parar antes dos "dois últimos passos", o experimento sugere que o ganho de valor não aparece. Meça quantos chegam ao fim da tarefa e cuide de quem trava no penúltimo passo.
  3. Mostre o que ele fez. O cliente que vê o resultado do próprio trabalho tem uma prova de competência. Devolva a ele o que montou: um resumo, um antes e depois, um painel com os passos que cumpriu. Teste se isso muda a conversa de renovação.
  4. Não use a lição para empurrar tarefa difícil. Os autores avisam que tarefas pesadas demais impedem a conclusão. Prefira uma tarefa menor que termina a uma maior que fica pela metade.
  5. Teste com o seu número. Compare dois grupos: quem recebe o entregável pronto e quem recebe uma versão em que conclui uma etapa simples. Registre uso, reembolso, pedido de desconto e renovação. O resultado é seu, e pode ser nenhum.

Para ver outros casos em que reduzir o esforço de decidir pesa na compra, leia o artigo sobre as poucas opções do Trader Joe's e o de Langer e a copiadora. Quem trabalha com preço e retenção pode ler também o estudo dos ingressos de teatro, outro caso em que o efeito foi menor do que a história conta, e o guia de taxa de conclusão.

Quando NÃO usar essa lição

  • Quando o cliente não vai conseguir terminar. Tarefa incompleta não produziu o efeito no estudo, e a participação pode virar frustração.
  • Quando o produto é caro e o risco é alto. O estudo usou itens de pouco valor e os autores não testaram preços maiores.
  • Quando o cliente paga justamente para não fazer. Se a promessa é "feito para você", empurrar trabalho para ele muda a oferta e pode gerar reclamação.
  • Quando a meta é justificar desconto ou preço alto. O estudo mediu o lance de quem montou, não a disposição de pagar por um serviço nem a renovação.
  • Quando a explicação que você procura é outra. Um estudo com crianças de 5 e 6 anos sugere que o esforço pode nem ser o mecanismo. Não trate "esforço" como a causa estabelecida.

Fontes

Para conhecer a eBuz e o que ela monta com autores, comece pelo sobre e veja os outros casos do Swipe File.

Perguntas frequentes

O que é o Efeito IKEA?

É o aumento do valor que a pessoa atribui a algo que montou ela mesma. Norton, Mochon e Ariely (2012) mediram isso com lances em dinheiro: quem montou uma caixa IKEA deu em média US$ 0,78, contra US$ 0,48 de quem recebeu a caixa pronta, um prêmio de 63%.

O Efeito IKEA funciona se o cliente não terminar a tarefa?

Pelo estudo, não. Quando os participantes pararam antes dos dois últimos passos da caixa, o lance médio foi de US$ 0,59, contra US$ 1,46 de quem terminou. No Lego, quem montou e desmontou também deixou de valorizar mais o próprio kit. A conclusão com sucesso é a condição do efeito.

O estudo prova que o cliente defende mais o que ajudou a construir?

Não. Os participantes eram estudantes dando lances por objetos baratos, como caixas, origami e Lego. O estudo não testou clientes, serviços, desconto nem renovação. A aplicação a negócios é hipótese que você testa com o seu próprio número, não resultado do artigo.

O Efeito IKEA vale para produtos caros?

O artigo não sabe. Os próprios autores escrevem que usaram itens de pouco valor e deixam a pergunta sobre itens mais caros para pesquisas futuras. Antes de basear uma oferta de preço alto nessa lição, teste com uma amostra pequena e meça uso, reembolso e renovação.