Swipe File

A fila da copiadora: o "porque" funcionou no pedido pequeno e falhou no grande

O experimento da copiadora de Langer é citado como prova de que "porque" convence. O artigo original mostra outra coisa: o efeito vale para o pedido pequeno, e no pedido grande a razão precisa de informação.

JonathanJonathan
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Capa do artigo sobre Fila da Copiadora, do Swipe File da eBuz

Resposta curta: no estudo da fila da copiadora (Langer, Blank e Chanowitz, 1978), pedir um favor pequeno com qualquer razão, mesmo vazia, levou 93% a 94% das pessoas a ceder a vez, contra 60% sem razão. No pedido maior, de 20 páginas, o "porque" vazio rendeu 24%, igual a não dar razão, e a razão com informação chegou a 42%, diferença que os autores tratam como tendência. A lição prática é que o "porque" ajuda quando o pedido custa pouco, e que, quando custa muito, a razão precisa dizer alguma coisa.

A cena: uma copiadora em Nova York

O experimento foi feito na copiadora da biblioteca do Graduate Center da City University of New York. Quem o conduziu foi Cynthia Weinman, segundo os agradecimentos do artigo. Não foi em Harvard nem em Boston: Harvard é só a afiliação da autora principal, Ellen Langer.

Uma pessoa sentada a uma mesa, de frente para a máquina, abordava quem estava prestes a copiar e pedia para usar a copiadora primeiro. O pedido vinha logo antes de a pessoa colocar o dinheiro. Foram três formas de pedir, sempre com 5 ou 20 páginas na mão de quem pedia:

  • Só o pedido: "Com licença, tenho 5 páginas. Posso usar a copiadora?"
  • Razão vazia (placebo): "...porque preciso fazer cópias?"
  • Razão real: "...porque estou com pressa?"

O pedido era considerado pequeno quando a pessoa abordada tinha mais páginas do que quem pedia, e grande quando tinha menos. Participaram 120 adultos (68 homens e 52 mulheres). Metade dos pedidos foi feita por uma mulher que não conhecia a hipótese, e a outra metade por um homem que a conhecia. A mulher teve mais aceitação, sem interagir com as outras variáveis.

Os números

Tipo de pedidoSó o pedidoRazão vaziaRazão real
Pequeno (5 páginas)60% (15 pessoas)93% (15 pessoas)94% (16 pessoas)
Grande (20 páginas)24% (25 pessoas)24% (25 pessoas)42% (24 pessoas)

As células são pequenas, de 15 a 25 pessoas. No pedido pequeno, a razão vazia e a razão real foram praticamente idênticas e diferentes do pedido sem razão. No pedido grande, a razão vazia ficou igual a nenhuma razão, e a diferença da razão real, 42% contra 24%, é descrita pelos próprios autores como uma tendência, não como diferença confirmada.

O que isso significa

Os autores concluíram que, quando o favor era pequeno, até uma razão sem informação aumentou a aceitação. Quando o pedido passou a exigir esforço, a razão deixou de ser automática e a adequação dela passou a pesar. Em outras palavras: o "porque" funcionou como atalho para pedido barato e deixou de funcionar como atalho para pedido caro.

Os autores foram cautelosos com a própria interpretação. Reconheceram que os resultados podem mostrar apenas que as pessoas não estavam pensando no que se supõe que estivessem, e não que a mente estivesse em branco.

O que veio depois

Em 1985, Valerie Folkes publicou no Journal of Personality and Social Psychology uma replicação parcial com extensões. Nos estudos 2 e 3, ela não reproduziu os resultados de Langer e colegas. Em outro experimento, uma razão que a pessoa controla ("não quero esperar") rendeu menos aceitação do que uma que ela não controla ("estou passando mal"). Folkes leu isso como sinal de que as pessoas processam a razão, em vez de reagir no automático, e ofereceu uma explicação rival: no pedido pequeno, a pessoa pode ter lido a razão vazia como uma tentativa atrapalhada de dar uma boa desculpa e ter cedido porque o favor era mínimo.

Folkes descreve que, no pedido pequeno, dar uma razão levou à mesma aceitação, seja qual fosse a razão. O que ela contesta é a explicação de que a pessoa agia sem pensar. Não encontrei replicações independentes recentes, de amostra grande e pré-registradas, do efeito do "porque" nesse formato.

O que isso muda no seu preço e na sua oferta

O experimento foi um pedido presencial, a desconhecidos, de baixo custo. Transportar para preço e oferta é extrapolação, e o que segue são sugestões de uso, não resultados do estudo:

  1. Classifique o pedido do ponto de vista de quem recebe. No estudo, "pequeno" e "grande" dependiam do que a pessoa tinha na mão. Um convite para um conteúdo gratuito é pequeno para o seu cliente. Um programa caro é grande.
  2. No pedido pequeno, uma razão curta e verdadeira basta. Não gaste um parágrafo para explicar por que você pede um email.
  3. No pedido grande, troque "porque" por informação. Em vez de "porque é uma oportunidade única", diga o que o cliente recebe, como o preço foi formado ou o que acontece se ele não decidir. A razão precisa ser algo que ele possa conferir.
  4. Exemplo ilustrativo, sem dados reais. Um convite para baixar um guia gratuito é um pedido pequeno: "baixe o guia, porque ele resume o método em uma página" costuma bastar. Uma mentoria cara é um pedido grande: ali a razão precisa dizer o que muda, para quem e com que prazo, e não apenas repetir que é uma boa oportunidade.
  5. Teste. Compare a sua página com e sem a justificativa do preço, e com uma justificativa vaga contra uma específica. O seu público manda, não a média de um laboratório.

Para ligar isso ao preço, vale ler o artigo sobre sticker shock e o guia de como precificar um curso online.

Quando NÃO usar essa lição

  • Quando o pedido é caro. O próprio experimento mostra que a razão vazia não ajudou no pedido de 20 páginas.
  • Quando a razão é fraca ou conveniente demais. Folkes mostra que o tipo de razão importa: a que o outro vê como mais legítima rendeu mais.
  • Em canais diferentes do experimento. O estudo foi presencial, entre estranhos, antes de a pessoa gastar a moeda. Email, anúncio e página de vendas não foram testados.
  • Quando você usa o 93% como promessa. Ele vale para uma célula de 15 pessoas num pedido pequeno. Não é uma taxa que se espere em outro contexto.

O que a história costuma errar

  • "Foi em Harvard." Foi no Graduate Center da City University of New York. Harvard é a afiliação de Langer.
  • "Basta dizer 'porque' e a pessoa aceita." No pedido de 20 páginas, a razão vazia rendeu o mesmo que nenhuma razão (24%).
  • "O 'porque' leva a 93% de aceitação." O 93% é do pedido pequeno, com 15 pessoas na célula, e a razão real foi 94%, o que torna a diferença entre as duas indistinguível.
  • "As pessoas agem no automático." É a interpretação dos autores, contestada por Folkes, e eles mesmos reconhecem que podem estar medindo outra coisa.
  • "Funciona em assunto de email e botão de compra." Nenhum dado do estudo cobre esses canais.

Fontes

Para ver como a eBuz organiza oferta, preço e a razão de cada decisão, comece pelo Mapa de Contexto. Para continuar a leitura, veja os outros casos do Swipe File e o guia de copywriting de resposta direta.

Perguntas frequentes

O que foi o experimento da fila da copiadora de Langer?

Foi um estudo de 1978 (Langer, Blank e Chanowitz) feito na copiadora do Graduate Center da City University of New York. Uma pessoa pedia para usar a máquina primeiro, com 5 ou 20 páginas, de três formas: só o pedido, com razão vazia ou com razão real. Participaram 120 adultos.

Dizer "porque" aumenta a chance de a pessoa aceitar?

No pedido pequeno, de 5 páginas, sim: 60% aceitaram sem razão, 93% com razão vazia e 94% com razão real. No pedido de 20 páginas, a razão vazia rendeu 24%, igual a nenhuma razão, e a razão real chegou a 42%, diferença que os autores descrevem como tendência.

O estudo da copiadora foi feito em Harvard?

Não. Foi no Graduate Center da City University of New York, em Nova York. Harvard é a afiliação da autora principal, Ellen Langer.

O resultado foi replicado?

Em parte. Folkes (1985) fez uma replicação parcial e não reproduziu os resultados em dois estudos, e leu as respostas das pessoas como sinal de que elas processam a razão. Não encontrei replicações independentes recentes, de amostra grande, do efeito nesse formato.